quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Originais

Pesquisador Social Resgatou Originais do Livro ¨Uma Mudança ao Ceará¨, de Mocinha Saraiva
Originais do livro de Mocinha Saraiva
Revendo seu arquivo pessoal, com o intuito de selecionar material para a III Mostra de Etnopsiquiatria, que deverá ocorrer no Museu Rural de Patu, no dia 18 de maio de 2016, o escritor e pesquisador social Epitácio de Andrade Filho conseguiu resgatar os originais da primeira edição do livro ¨Uma Mudança ao Ceará, da escritora patuense Mocinha Saraiva, dentre outras relíquias.
Capa da primeira edição do livro
O livro da escritora Mocinha Saraiva foi lançado no dia 18 de maio de 2002, no Salão de Recepções do Hotel Vila do Príncipe, em Caicó, no Seridó potiguar, e foi apresentado em Patu, no Médio-oeste do Rio Grande do Norte, no dia 14 de setembro do mesmo ano, durante a II Mostra de Etnopsiquiatria, cujo folder do evento foi ilustrado pelo desenho da capa do livro de Mocinha Saraiva.

Folder da II Mostra de Etnopsiquiatria

Uma parte dos originais está datilografada e outra foi manuscrita de próprio punho pela escritora ou por familiar próximo.
Manuscritos de ¨Uma Mudança ao Ceará¨
Manuscritos
A I Mostra de Etnopsiquiatria aconteceu na Câmara de Vereadores de Patu, em setembro de 2001, teve como tema: ¨Etnopsiquiatria e Psicanálise¨. Aconteceram entre as atividades: uma apresentação das obras de Sigmund Freud, apresentação do mostruário de drogas psicoativas da polícia Militar/RN e uma exposição coletiva de obras de arte dos artistas plásticos Jany Tavares e Márlio Dantas Forte.
 ¨Destinos¨, do artista plástico patuense Jany Tavares
 
 
Artista plástico e fotógrafo Márlio Forte com Epitácio Andrade

Participaram da I Mostra de Etnopsiquiatria: a assistente social janduisense do Hospital Regional  Tarcísio Maia de Mossoró Elza Maria Gurgel de Oliveira, os coronéis Nascimento e Sairo, o cabo Aurélio, ambos da Polícia Militar/RN, o psicólogo Valdir Ajala da Polícia Civil/RN e o empresário e farmacêutico Jorge Castro Júnior (Júnior Baiano).
Epitácio Andrade, Elza Gurgel e Júnior Baiano
 
A II Mostra de Etnopsiquiatria ocorreu no dia 14 de setembro de 2002, num cenário armado numa residência localizada na Praça João Carlos,83, no centro histórico de Patu. Teve como tema: ¨O Impacto das Migrações no Processo saúde-doença mental – O Caso das retiradas Itinerantes do Povo Sertanejo. O cenário era formado por um pequeno auditório, pela sala ¨Universo Paralelo Luiz Saraiva¨, dedicada a exposição das peças museológicas do período que se dedicou à mineração o senhor Luiz Saraiva, condecorado com  homenagem póstuma pela Assembleia Legislativa do RN e codinominado ¨artífice do ferro¨.
Chico de André, Rosalita Forte, João Dantas, Cristina Claudia e Niane   
A II Mostra contou com as presenças de: comerciante e ex-vereador Francisco Otávio de Moura (in memoriam) (Chico de André), esposo da escritora Mocinha Saraiva (in memoriam), professora Rosalita Leite Forte (in memoriam), professora Cristina Cláudia e do artesão Geraldo Ferreira Saraiva (Niane) (in memoriam).
Também compunha o cenário da II Mostra uma barraca de acampamento do exército, dedicada à história do açude do Tourão(1982), na zona rural de Patu.

Barraca de acampamento do exército

O coronel PM/RN médico Silvério Monte, responsável pela assistência médica prestada aos 900 cossacos empregados na construção do açude, foi um dos expositores da II Mostra de Etnopsiquiatria.
Escritor Epitácio Andrade com coronel médico Silvério Monte
Para a realização da III Mostra de Etnopsiquiatria já foram iniciados entendimentos com o farmacêutico e empresário doutor José Adécio Leão, proprietário do Museu Rural de Patu.

Escritor Epitácio Andrade com empresário Adécio Leão

 
Esse trabalho de resgate histórico feito pelo pesquisador Epitácio Andrade não poderia ter concluído de forma mais gratificante: O pesquisador localizou uma carta em que a escritora Mocinha Saraiva lhe apresenta os agradecimentos, pela publicação de ¨Uma Mudança ao Ceará¨.
 Carta de agradecimento
Carta de Agradecimento da escritora Mocinha Saraiva a Epitácio Andrade
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Delegado Cangaceiro

O Delegado que Virou Cangaceiro
 
Contemporâneo dos Limões (1865/1879), Liberato Cavalcante de Carvalho Nóbrega foi o delegado que virou cangaceiro. Com base em informações obtidas nos livros ¨Cônego Bernardo¨ e ¨Cangaceiros do Nordeste¨, publicados no século XIX, pelo escritor paraibano Pedro Batista, o memorialista Trajano Pires da Nóbrega em sua obra genealógica¨A Família Nóbrega¨, editada em 1956, apresenta  a história do jovem produtor rural  Liberato Cavalcante de Carvalho Nóbrega que foi nomeado delegado da Serra do Teixeira, no sertão paraibano, nos idos dos anos60/70 do século XIX, e depois, por razões, igualmente políticas, seguiu a trajetória do cangaço.
Cadeia Pública de Teixeira/PB
 
O resgate da história de Liberato foi possibilitado porque Trajano teve acesso a história oral relatada por dona Francisca Rodrigues, viúva de Francisco Benigno, mais conhecido como ¨Benigno Caluete¨, uma das vítimas do cangaço de Liberato. Dona Francisca se casou, em segundas núpcias, com Francisco Vicente de Araújo, habitante da cidade de Patos na Paraíba e amigo do escritor Trajano da Nóbrega.
Patos/PB - 1915
 
Segundo relatos da tradição oral, Liberato era corpulento, calado, retraído, benquisto e respeitado. Sua área de atuação se restringiu as circunvizinhanças da Serra do Teixeira, com epicentros na própria Vila do Teixeira, em Patos e em Santa Luzia, ambas no sertão paraibano.
Liberato, descendente direto da tradicional família Nóbrega, era bem relacionado com personalidades políticas de destaque na Paraíba, como o cônego Bernardo e o Dr. Manuel Dantas. O cônego Bernardo Carvalho de Andrade era primo de Liberato, a quem o considerava coirmão. Foi vigário do Teixeira, arcipreste (equivalente a Bispo) e deputado provincial da Paraíba. Outra personalidade do conjunto de relações sociais de Liberato era o Dr.  Manuel Dantas Correia de Góis, principal liderança da região. Era padrinho de Augusto, irmão de Liberato. Depois de certa relutância por parte de Liberato Nóbrega, Dr. Manuel Dantas o nomeou delegado do Teixeira, em comum acordo com o cônego Bernardo, de quem era amigo e compadre.
O principal objetivo da nomeação de Liberato como delegado era o enfrentamento aos Guabirabas, bando formado por três irmãos: Cirino, Juvino e João, além de um cunhado chamado Manoel Rodrigues. Segundo Trajano da Nóbrega, os Guabirabas eram criminosos insolentes e perigosos, vindo de Pajeú de Flores, em Pernambuco.
 No dia 21 de abril de 1862, o bando dos guabirabas saqueou a feira de Teixeira, promovendo roubos e todo tipo de depredação. Atirando a esmo, em trotes agalopados pela rua da vila, emitiam provocações a Liberato, que percebendo a superioridade numérica do bando, resolveu emboscá-lo na descida da serra. Um tiro certeiro de clavinote pôs fim ao bandoleirismo de Cirino Guabiraba. O trabalho de delegado de Liberato foi posto a prova,  quando  prendeu um apaniguado do doutor Dantas, acusado de homicídio, recebeu a recomendação para colocá-lo em liberdade, ao que Liberato respondeu em latim:  ¨dura lex, sede lex¨(a lei é dura, mas é lei), fato que desagradou profundamente, o doutor Dantas. Sabendo que teria um revide do chefe político, a partir desse momento, Liberato passou a ser apenas ¨o cabra da serra¨. Não foi só noções de latim que Liberato herdou dos religiosos que o protegiam.   Suas ações eram anunciadas com o soar de um sino. Quando tentou reassumir o posto, foi preso e recolhido ao cárcere pelo novo delegado, sob acusação de autoria de homicídios, dentre eles o de Cirino Guabiraba. O seu irmão Augusto passou a liderar o bando e tentou resgatá-lo, mas já era tarde. Uma tropa especialmente designada, para tal fim, recambiou Liberato para a cadeia pública de Parahyba, capital da província, aonde veio a falecer, depois de contrair varíola, durante a epidemia do final do século XIX.
Cadeia Pública de Parahyba
 
Em versos, o menestrel cordelista Leandro Gomes de Barros (1865/1918),nascido no Sítio Melancia, no município de Pombal, na Paraíba, que morou no Teixeira, registra a saga do bravo Liberato Nóbrega com os facínoras Guabirabas, o poema de Gomes de Barros está editado no livro Ao Som  da Viola, de Gustavo Barroso, publicado em 1921. Em sextilhas rigorosamente metrificadas, o poeta Ariano Suassuna (1927/2014) enaltece as ações dos irmãos guabirabas e o delegado-cangaceiro Liberato Nóbrega é mero figurante, em seu livro de poesias Os Guabirabas, publicado em 1943. Os Limões, arqui-inimigos dos Brilhantes, não fazem parte da memória suassuniana o seu magno Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do sangue do vai-e-volta (1971) é dedicado à memória de seu pai João Suassuna (1886/1930) e  Jesuíno Brilhante (1844-79). No dia 14 de março de 2008, o poeta paraibano Gil Hollanda lançou em Caicó, capital do Seridó potiguar, durante café poético, com a presença do poeta Kydelmir Dantas, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do repentista Chico Mota (1924/2011) o folheto de cordel ¨O Delegado que Virou Cangaceiro¨.


Livro de Gustavo Barroso
 
Epitácio Andrade, Chico Mota, Kydelmir Dantas e Gil Holanda
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CINEMA

Escritor Epitácio Andrade Ingressa na Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas

ESCRITOR EPITÁCIO ANDRADE

            Neste dia 27 de janeiro de 2016, o escritor Epitácio Andrade participou de sua primeira reunião como filiado da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas (ABD e C) Sob a presidência da jornalista e especialista em cinema Dênia Cruz, a reunião ocorreu no auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN), na Cidade Alta, em Natal, capital do Estado.

 
COM DÊNIA CRUZ

            Na ocasião, o escritor discutiu com o musicista Roberto Damasceno sobre a sua recente pesquisa sobre a biografia do violinista e pesquisador da rabeca Luiz Mário da Rocha.

COM ROBERTO DAMASCENO

             Em conversa com o cineasta Rômulo Sckaff falou sobre seus documentários: O Doido do Saco e O Lugar da Morte de Jesuíno Brilhante, que serão apresentados ao pesquisador de documentários Marcelo Duainain. 

COM RÔMULO SCKAFF

COM DIRETORIA DA ABD e C

            No próximo dia 05 de fevereiro de 2016, o escritor foi convidado para participar de uma reunião com a equipe técnica do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e com Alexandre Dantas, secretário de saúde do município de São José de Mipibu, na área metropolitana de Natal, capital do Rio Grande do Norte, quando apresentará projetos cinematográficos para 2016. Com a filiação, Epitacio Andrade está tendo oportunidade de trânsito cultural por parcela importante da intelectualidade potiguar.   

COM MARCELO DUAINAIN

OBRA DE RONILSON FERREIRA


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Cartas pós-modernas - 1989


1989 – Queda do muro de Berlim- Dos pós à Pós.


Última imagem do muro de Berlim

 

Início da Pós-modernidade.

 



Presidente da URSS Gorbachev


O estadista Mikhail Gorbachev inicia a implantação da Glasnost (Transparência), reforma política, e da Perestroica (Reconstrução), reforma econômica, que foram reformas implantadas na antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), decisivas para o fim da Guerra fria.
 

Fim da Guerra Fria USA-URSS

 
 O capitalismo mundial vive uma nova era. É a Globalização!
 

 A ditadura do mercado se integra com a do desejo. No plano das relações humanas se instalou uma crise paradigmática: a certeza da incerteza.  A velocidade da veiculação de informações é acelerada pelos botões da informática. À quântica caminha a humanidade. Subatomicamente, nanotecnologicamente.


 
Subatomicamente

 Vivencia-se consumismo, hedonismo, tribalismo e  efemerismo. Se o ócio é melhor do que o negócio, a estética é preferível à ética. A indústria cultural se harmoniza com a comunicação de massas e vice-versa. Essa harmonia simbiótica tem objetivo parasitístico: formar sujeitos acríticos e manipulados para colocar os seus quotidianos a serviço da reprodução do sistema.


   Constrói-se uma sociedade sem singularidade.



Nós, cordéis pós-modernos

Sigmund Freud explica e Chacrinha confunde.

 



 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cartas pós-modernas - A Natureza


A Natureza
 


 
 
É o saco de pancadas da humanidade;
O mar é o destino final de dejetos humano-industriais; Cemitério de persona-lidades: Ulisses, Poseidon, Bin Laden.
O plástico não-degradável pelo próximo meio milênio, geração pós-geração o acompanhará até se resignificar paleontologicamente. Por enquanto, segue como praga do mar.
PALEONTOLOGIA DO MAR
 
 
Cansado da plástica deglutição abissal, o senhor de barbatanas tem vindo à praia para variar o seu já diversificado cardápio. Agora se incluem as grossas coxas das turistas e as ágeis pernas dos surfistas, as vezes se incluem as frágeis canelas dos cinegrafistas. O que foi floresta que seja hoje peça do mobiliário colonial! 

AVISO TUBARÃO NA PRAIA

 
Hotel para ruminantes ou combustível automotivo verde. Quem achar que o seringal não é sustentável receberá uma ATPF sem marca d’água emitida pela empresa Ouro Verde, podendo facilmente enriquecer com a financeirização da economia global. O crime ambiental equivale uma contravenção.
 

Condenados a 10 anos de reclusão perambulam livres sem tornozeleiras, derrubando florestas, fazendo queimadas, agredindo e ameaçando ambientalistas.  Onde foi cachoeira que seja usina, principalmente, se ela descia por um belo monte.

USINA BELO MONTE

 
Se o monte é santo, ele será capaz de produzir transgênicos para promover suicídio em massa na miseravelmente produtiva cotonicultura indiana? Se a floresta esconde comunistas, inventa-se o agente laranja para desfolhá-la. Índios, negros, mulheres, esquimós e meninos! Saiam! Nós vamos pegar seu ouro! Como não existe mercado consumidor para a indústria química: Ela será redirecionada para envenenar as mesas brasileiras, mas o verde resiste, o verde não desiste, insiste!
 
 
A encíclica papal é verde. A largos passos se caminha para completa desarmonia ecossistemática. Um sussurro: Greenpeace!
O sapo e a gia formarão um casal top model; O combate à praga do bicudo matou o solo semiárido, desertificando-o e colocou agrônomos na fila de transplante hepático; o jumento não serve mais para carregar água porque existem adutoras, não serve para carregar mercadorias em caçuás porque existe caminhão-baú, não serve para transporte individual porque existem motocicletas; no mundo pós-moderno, não há lugar para viver de contemplação; o jumento está condenado a perambular pelas rodovias sendo atropelado e causando acidentes, a solução veio da chapada.
 

Será carne para presos e merenda escolar; Seria o promotor Jumento? Ou o jumento, o verdadeiro promotor? À corrosão da solidariedade humana resistirá a natureza? Sempre guerra. Com ódio e com medo! Assina a natureza humana. Nietzsche não está morto! Deus está...   
 

FILÓSOFO NIETZSCHE

 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Cartas pós-modernas - A Humanidade


Cartas pós-modernas A Humanidade
 

Somos seres andróginos.
 

Crescemos sob a liderança do macho alpha. Tornamos violentos e intolerantes.

                  Vivemos em belas gaiolas feitas com a madeira das últimas sequoias milenares que arrancamos do planeta Terra, aquecendo-o.
 
                 Recusamo-nos a acreditar que causamos terremotos, maremotos, assopramos tufões, exterminamos furões, irrompemos vulcões causamos enchentes e secas.
 
                    Acreditamos em Zeus. Tememos a deus. Confiamos em dinheiro, amamos sexo. Não conseguimos manter contatos extraterrestres.
 
                    Somos herbívoros, mas comemos animais. Temos câncer. Somos sofredores, desejantes, sonhamos contemplados com a loteria da babilônia. Para assim, podermos viajar a Marte e conhecer um antigo lavrador que nos ensinará a ter tudo do bom e do melhor. Falamos demais. Escutamos pouco. Uns têm. Outros sobrevivem. Antecipamos nossa finitude.