segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Seu Senhor


Seu Senhor - O Bedel da Prefeitura
 

Seu Senhor

 
 
                      Bedel era um antigo servidor publico que era responsável pela disciplina interna das instituições. Em Patu, o mais conhecido bedel foi um homem conhecido como Seu senhor da Prefeitura. Entrava e saía prefeito e seu Senhor permanecia com a função de disciplinar internamente a prefeitura municipal. Seu Senhor era um homem cordial e pacato, cultivador das amizades. Quando o assunto era a defesa do município, seu Senhor estava de prontidão. Em 1927, rondava a notícia de que Lampião e seu bando de cangaceiros saquearia a cidade. Prontamente, seu Senhor juntamente com um grupo de patuenses, igualmente destemido organizaram a defesa da cidade de fuzil na mão. O meu pai, o ex-prefeito de Patu Epitácio de Andrade manteve uma saudável convivência com seu Senhor durante mais de 50 anos. Isso mesmo, mais de meio século. Sabendo que a lembrança é a única que permanece, guardo na minha memória, vários momentos quando fui presenteado, na minha infância, com doces seriguelas, colhidas por seu Senhor de uma frondosa serigueleira, por ele regada no quintal da prefeitura.
Seriguela
 
                   Da memória do município é importante se resgatar os relatos acerca do inigualável aroma do café exalado durante o preparo por seu Senhor que se espalhava da rua à estação, consistindo num verdadeiro fator de integração municipal.
Seu Senhor no Santuário do Lima
 
ALGUNS DADOS DA ORIGEM DE SEU SENHOR, segundo  Clorinda Cortez
                "Salvador Cortez Neto era neto de Salvador Cortez e Nicolau Cortez que eram irmãos. Porque Braz filho de Salvador casou com Ana filha de Nicolau e geraram a Salvador, conhecido por Senhor. Ele nasceu no dia 04 de Janeiro de 1904. Ficou órfão de pai aos 11 anos de idade e foi para Maniçoba aonde foi criado por seus tios. No ano de 1932, casou-se com Francisca Nogueira, da Gameleira, com quem teve 12 filhos (9 mulheres e 3 homens). Teve como profissão o oficio de vaqueiro, ramo no qual trabalhou muitos anos na Paraíba, na cidade de Mogeiro. Alguns anos depois voltou para Patú, onde vendeu leite de gado por muito tempo. Depois arranjou emprego na Prefeitura, onde anos depois também passou a morar e a cuidar com muito amor. Seu Senhor morou na prefeitura de Patú até que Dr. Ednardo ganhou a eleição municipal e o mandou embora. Ele então foi para João Pessoa/PB onde residiu por cinco anos, até que faleceu aos 90 anos de idade, no dia 18 de abril de 1994".
             Como forma de reparar, minimamente, a injustiça cometida pela municipalidade contra seu Senhor, defendemos o tombamento da serigueleira do quintal da prefeitura À memória de seu Senhor - O Cuidador de Patu.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Louíse Carol


Da Capital Espacial a Capital dos Quebra-quilos- Uma Viagem Cangaceira


Açude Velho Campina Grande/PB

                         Em 23 de julho de 2011, dia do casamento da enfermeira Louise Carol Holanda Andrade com o advogado Alexandre Chagas.  Uma excursão exploratória partiu de Natal/RN, capital espacial do Brasil, por sediar na sua área metropolitana a Barreira do Inferno, importante base de lançamento de foguetes para uma visita a Campina Grande, na Paraíba, considerada a capital da Insurreição dos Quebra-quilos (1874-75), revolta popular pautada na contestação da escorchante carga tributária nacional. Em Campina Grande, os revoltosos atiraram para o fundo do Açude Velho, no centro da cidade, os instrumentos de medida confiscados na feira livre.
 
 
 
                          Buscando aprofundar informações consolidadas no livro “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante” (2011), no trajeto Natal-Campina Grande, passou-se a visitar possíveis sítios de memória da Revolta dos quebra-quilos, que pudessem levantar indícios da participação dos “Limões”, principais algozes do cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante (1844-79) nesta luta social do segundo império brasileiro. Conforme o historiador Armando Souto Maior, a Revolta começou no distrito campinense de Fagundes.

Barreira do inferno Natal/RN

Feira de Fagundes - 1874
                           Por trás da substituição das medidas tradicionais de peso, capacidade e superfície pelo atual sistema métrico decimal (1872) estava imbuída uma elevação de impostos, cuja carga tributária já era uma das maiores do mundo. A capital da província do Rio Grande do Norte, na época, era uma pequena cidade de pouco mais de 10 mil habitantes, e a Revolta esteve conflagrada em localidades ao sul do estado, na região do Seridó e no oeste, onde ficou evidenciada a participação da família Limão.
                           Nas adjacências das cidades de Baía Formosa e Santo Antônio, citadas por Armando Souto Maior, como localidades conflagradas à Insurreição dos Quebra-quilos, mais precisamente, em Patané,  na zona rural do município de Arez, encontrou-se uma balança, que foi resgatada do sítio histórico da Ilha do Flamengo, na Laguna de Guaraíras, no final do século XIX, que pode ser remanescente da revolta. A revolta inspirou a cultura popular como se observa no poema musicado por Pedro Joaquim de Alcântara  Cesar.
 

Sou quebra-quilo encoletado em couro,
Por vil desdouro se me trouxe aqui,
A bofetada minha face mancha,
A corda, a prancha me afligir senti.

Nas cãs modestas a tesoura cega
Da minha enxerga só me resta o pó,
Esposa e filhas violentam rudes
As sãs virtudes – seu tesouro – só.

Não há direitos; isenções fugiram...
Nas leis cuspiram desleais vilões;
Crianças, velhos, aleijados aguardam
A triste farda de cruéis baldões.

Em vão, descalços, minha esposa e filhos
Do sol aos brilhos pranteando vêm.
Socorro! Imploram piedade a tantos...
Mas de seus prantos se receia alguém!

E ao quebra-quilo desonrado e louco
É tudo pouco. Quanto a infâmia faz!
Se ali contempla da família o roubo
Aqui ao dobro se o flagela mais...

Vê sua esposa da desgraça ao cimo,
Por seu arrimo, tudo expô-la vão,
Recorda as filhas que sem mãe ficaram
E lhe as roubaram... que perdidas são.

Tiranos vede que misérias tantas!...
Nem a quebranta nem pungir nem ais,
Martírios, ultrajes de negror fazei-me.
Porém, dizei-me se também sois pais!

A bofetada minha face mancha,
A corda, a prancha me doer senti.
A vil desonra da família querida,
Tira-me a vida... de pudor morri


 
 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Consciência Indígena


Patané/Camocim Vai Comemorar o Dia Nacional da Consciência Indígena



Indígena e meio ambiente
 

                           A comunidade integrada Patané/Camocim, localizada na zona rural de Arez, no litoral sul potiguar está organizando uma programação alusiva ao dia nacional da consciência indígena. O sincretismo religioso faz parte do universo cultural da comunidade. 
Dr. Epitácio e Nilvan Barbosa constatam sincretismo religioso
                           No dia 20 de janeiro de 2015, a partir de 08h30min, o médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio de Andrade Filho, a convite, da associação comunitária local liderada pelos policiais militares Nilvan Barbosa e Eciclei Alves, estará sendo submetido a uma sabatina pela comunidade sobre a persistência de tradições e comportamentos indígenas no universo cultural da comunidade.
Epitácio Andrade em Patané/Camocim
                           O engenheiro agrônomo Francisco Rodrigues, coordenador do Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF - quilombola) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a historiadora Nara Almeida confirmaram presença no evento.
Epitácio Andrade com Revista INCRA e Dr. Rodrigues



sábado, 17 de janeiro de 2015

comandante


Comandante da Polícia Militar Autografou Livro para oficial de saúde Reformado


Cel Ângelo com Epitácio Andrade


 
                   No final da tarde desta sexta-feira, dia 16 de janeiro de 2015, o comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte Coronel Ângelo Mário de Azevedo Dantas encontrou um espaço na sua concorridíssima agenda para autografar o seu mais recente livro publicado História do Hospital Cel. Pedro Germano para o capitão médico psiquiatra reformado Epitácio de Andrade Filho. O referido livro é um ensaio cronológico sobre o Hospital e sobre o setor saúde da Polícia militar do RN.
Capa do livro História do hospital militar do Cel. Angelo
 
                   Dono de uma gentileza que lhe é peculiar, o comandante-escritor, ao dedicar a obra, referiu-se ao oficial presenteado, como colega pesquisador. Na ocasião, o pesquisador social Epitácio Andrade manifestou a sua intenção de colaborar com o desenvolvimento do museu da Polícia Militar, sediado no Quartel do Comando, cujo fundador foi o coronel-escritor Ângelo Mário de Azevedo Dantas.  
Quartel do Comando em Natal sedia museu da Policia Militar/RN
 
 
 
 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

café



A Proibição do Café

 
xícara e sementes de café

A princípio, o leitor pode ser tomado por uma sensação de surpresa com o título do presente artigo que será superada com a seqüência de informações nele expostas. É provável que o café tenha sido a planta mais cobiçada, roubada e contrabandeada da história. Não é na obra de Plínio, o filósofo naturalista da antiguidade, que se encontram os primeiros registros sobre o café.

 
Plínio, filósofo naturalista romano

 Vem da Etiópia, a antiga Abissínia, de onde também veio à inspiração para o seu apreciador o músico libertário Bob Marley compor sua mítica canção War (Guerra): Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação, enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos seus olhos, enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida, mas nunca alcançada.
 
Bob Marley


 Conta a lenda do pastor Kaldi que observava que suas cabras ficavam alegres e saltitantes quando comiam as folhas e os frutos dos cafeeiros e percorriam grandes distâncias com muito vigor. Levados os frutos a um mosteiro foi descoberto o processo de torra das sementes e submetidas à infusão em água quente, estava descoberto o café. Logo passaria a ser uma das grandes riquezas do império Otomano, que punia com a pena capital o seu contrabando. No império austríaco, o monarca Frederico, o grande, deparou-se com problemas em sua balança comercial motivados pela demanda por importação do café do império Otomano. A solução encontrada foi instituir uma política proibicionista para impedir o consumo de café. A política de proibição do café criou a figura dos cheiradores de café, que tinham a função de fiscalizar nas ruas e domicílios, os vestígios de consumo de café. A punição para os infratores eram chibatadas campais. Em 1683, com a derrocada do exército Otomano, no cerco a Viena, durante a retirada foi deixada uma grande leva de sementes torradas, suficiente para o café passar a fazer parte do cotidiano europeu. Esse episódio inspirou o genial compositor alemão Johan Sebastian Bach a escrever a opereta cômica Cantata Coffee, que se referia a um pai que queria impedir sua filha de consumir café. Entre os parceiros de cafeteria do poeta lisboeta Fernando Pessoa estava o mago ocultista Alister Crowley, mentor místico-intelectual do cantor roqueiro Raul Seixas, divulgador da lei da Thelema: "Faze o que tu queres há de ser o todo da lei."
"Amor é a lei, amor sob vontade"
"Não há lei fora, Faze o que tu queres." 

  
 Se hoje a humanidade rir de sua relação proibicionista-punitiva com o café no passado. Em futuro próximo, rirá de sua relação, com outra planta, a maconha. Quem viver verá.
símbolo da filosofia Thelema

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ciganos

 


                                         O Reino Cigano de Tangará
                                                           
Médico Epitácio Andrae e cigano Severino Rangel
                  Mais de uma dezena de famílias ciganas tem o acampamento de Tangará, cidade distante 90 km de Natal, capital do Rio Grande do Norte, como referencial de encontro e reencontro, mantendo a tradição secular do nomadismo, esses ciganos do grupo Calon se espalham por cidades da Paraíba e outros estados do Brasil, mas tem Tangará, como capital do seu reino. Vítimas de atitudes preconceituosas e mantidos à margem das políticas públicas, como constata a pesquisa:   E O ROMANESTHÀN VAI À ESCOLA: EXPERIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO ESCOLAR COM CRIANÇAS CIGANAS NO RIO GRANDE DO NORTE, do doutorando em educação (UFRN) Flávio José de Oliveira, os ciganos resistem e se inserem no panorama da diversidade cultural brasileira.




preparo de alimento no acampamento
 A vida no acampamento é simples e também bucólica. O preparo dos alimentos é feito ali mesmo num fogo de lenha improvisado, o banho é campal, com uma vida simples e bucólica, o líder Severino Rangel afirma que tem o direito garantido de envelhecer saudável. As mulheres mantêm a tradição da quiromancia (Arte de prever eventos de vida, por meio da leitura das linhas da mão). Em visita ao acampamento cigano articulada pelo taxista santacruzense José Emídio da Silva (Tio Zé), o médico psiquiatra e sanitarista Epitácio de Andrade Filho constatou a diminuição do sub-registro de nascimento na população cigana, constatação que será  comunicada à Associação Nacional de Notários e registradores (ANOREG). Anualmente, os ciganos mantêm a tradição de promoverem uma grande confraternização natalina.
cigano toma banho campal
Cigana diz ler mão do médico
 
Taxista Tio Zé, visitante e Epitácio Andrade